Mostrar mensagens com a etiqueta Garcia Escudero. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Garcia Escudero. Mostrar todas as mensagens

domingo, 26 de abril de 2009

Vamos Falar de Cinema

Se o cinema é uma mercadoria, quem a produz precisa vendê-la, o que depende de agradar ao maior número possível de espectadores. Se o gosto destes é mau, baixo terá de ser o nível dos filmes. E o produtor fará com que não se eleve, limitando-se aos temas de seguro impacto popular, impondo formas de exposição elementares e negando aos realizadores qualquer audácia artística. Como dizia o filósofo Eugénio D'Ors a alguém que, junto dele, experimentava com uma garrafa de champanhe um novo modelo de rolha que falhou, tendo-se entornado o líquido: «As experiências, meu filho, fá-las com gasosa.»
Do cinema, 95% farse-á com gasosa.

Vamos Falar de Cinema

Ficaríamos admirados se pudéssemos avaliar a importância que o cinema tem no que sabemos. Mas também no que somos. Porque o cinema é muito mais que informação, chegou a fazer parte de nós tão intimamente que nem damos por isso: uma concepção do mundo que devemos á tela; um sentido novo de natureza e da sociedade, da arte da ciência; um humanismo mais vivo do que aquele que poderíamos encontrar nos livros; uma aproximação dos homens na sua concreta dimensão; uma conformação do nosso poder intelectual e da nossa sensibilidade - que não se pode dizer que seja suficiente mas que é, no entanto, indispensável. Pois bem, em tudo isto, a maior parte corresponde ao chamado cinema de evasão, que é precisamente aquele que, sem pretendê-lo, influencia mais o espectador, o qual, paradoxalmente, quanto mais quer fugir da realidade mais profundamente está a aprender na tela o que vai transportar depois para a sua existência: trajos e costumes, maneiras de falar, de sentir e de pensar.