Foi assim, ó Gláucon, que a história se salvou e não pereceu. E poderá salvar-nos, se lhe dermos crédito, e fazer-nos passar a salvo o rio do Letes e não poluir a alma. Se acreditarem em mim, crendo que a alma é imortal e capaz de suportar todos os males e todos os bens, seguiremos sempre o caminho para o alto, e praticaremos por todas as formas a justiça com sabedoria, a fim de sermos caros a nós mesmos e aos deuses, enquanto permanecermos aqui; e, depois de termos ganho os prémios da justiça, como os vencedores dos jogos que andam em volta a recolher as prendas da multidão, tanto aqui como na viagem de mil anos que descrevemos, havemos de ser felizes.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
A Républica
- Enquanto não forem, ou os filósofos reis nas cidades, ou os que agora se chamam reis e soberanos filósofos genuinos e capazes, e se dê esta coalescência do poder político com a filosofia, enquanto as numerosas naturezas que actualmente seguem um destes caminhos com exclusão do outro não forem impedidas forçosamente de o fazer, não haverá tréguas dos males, meu caro Gláucon, para as cidades, nem sequer, julgo eu, para o género humano, nem antes disso será jamais possível e verá a luz do sol a cidade que há pouco descrevemos.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
O Banquete (O Simpósio ou Do Amor)
Se a vida alguma vez mereceu ser vivida, caro Sócrates (disse a mulher de Mantineia), é no momento em que o homem contempla a beleza essencial. Se alguma vez a contemplares, mesmo só de relance, que te parecerão, ao pé dela, o oiro, os vestidos, as crianças bonitas, os jovens que hoje te perturbam o olhar, a ti e a muitos outros, a ponto de, para verdes os bem amados e viver sempre com eles se tal fosse possível, consentiríeis em privar-vos da comida e da bebida, sem outro desejo que não fosse o de os ver e ficar na sua companhia? Pensa então - disse - que felicidade não será para um homem poder ver o próprio belo, simples, puro, sem mistura, e contemplar, em vez de uma beleza carregada de carnes, de cores e de muitas outras superfluidades perecíveis, a própria beleza divina sob a sua única aparência? Pensas que é banal a vida de um homem que, elevando os olhos para o alto, pode contemplar a beleza e viver dessa contemplação?
quinta-feira, 3 de julho de 2008
A Apologia de Sócrates
8. Por último, procurei os artistas. Estava ciente de não saber coisa alguma e de encontrar entre eles homens sabedores de muitas coisas belas. E neste juízo não me enganei: eles sabiam o que eu ignorava e deste modo eram mais sábios do que eu. Todavia, Atenienses, esses bons artesãos também me pareceram com o mesmo defeito dos poetas porque, sendo embora exímios na sua arte, cada um deles julgava-se muito sábio noutros assuntos importantes, de modo que, quando me interroguei a mim próprio, para justificar o oráculo, preferia ser o que sou, nem sábio na sua sabedoria, nem tolo na ilusão desses homens, ou, pelo contrário possuir como eles o saber e a ignorância, respondi a mim mesmo que o melhor seria continuar a ser o que sou.
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