A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder no quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado,
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo uma noite só comprida
num quarto só
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Os Animais do Sol e da Sombra
O que está aquém da visão não é uma simples franja
ou um vaso mas o sangue do sol
que explode e se projecta em imagens fulgurantes
com um núcleo osbcuro e ramagens transparentes
Não podemos beber directamente da nascente
porque nós pertencemos-lhe a partir da sua origem
e não podemos voltar-nos para a sua garganta escura
para colher as anémonas de fogo
ou montar os cavalos incandescentes
Esse vigor subterrâneo e sempre antecedente
tem a violência da lava e da serração da floresta
e é ele que nos lança no mundo do fundo das suas trevas
e com a sua cegueira nos abre a visão das coisas
Sem ele não poderíamos vislumbrar o horizonte
nem conhecer o sabor do silêncio ou a passagem do tempo
Somos o fruto do seu excesso de ser e também da sua falha original
e os lábios do seu espaço tumultuoso
O seu corpo é uma espiral que estremece
a partir de vulcânicas raízes
Não conheceremos nunca o inicial segredo deste incandescente ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo[habitante fluvial
ou um vaso mas o sangue do sol
que explode e se projecta em imagens fulgurantes
com um núcleo osbcuro e ramagens transparentes
Não podemos beber directamente da nascente
porque nós pertencemos-lhe a partir da sua origem
e não podemos voltar-nos para a sua garganta escura
para colher as anémonas de fogo
ou montar os cavalos incandescentes
Esse vigor subterrâneo e sempre antecedente
tem a violência da lava e da serração da floresta
e é ele que nos lança no mundo do fundo das suas trevas
e com a sua cegueira nos abre a visão das coisas
Sem ele não poderíamos vislumbrar o horizonte
nem conhecer o sabor do silêncio ou a passagem do tempo
Somos o fruto do seu excesso de ser e também da sua falha original
e os lábios do seu espaço tumultuoso
O seu corpo é uma espiral que estremece
a partir de vulcânicas raízes
Não conheceremos nunca o inicial segredo deste incandescente ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo[habitante fluvial
Mas se a estrela do silêncio brilha sobre os muros
talvez possamos sentir o rumor novo do seu hálito
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