Foi, creio, Cúrio Dentato quem disse que preferia estar morto a viver como se o estivesse. O derradeiro mal é deixar de estar entre os vivos sem ainda se estar morto. Mas se por acaso viveres numa altura em que a vida pública é difícil de enfrentar, terás apenas de reinvindicar mais tempo para o descanso e para o trabalho literário, procurar um porto seguro de vez em quando, como se estivesses numa viagem perigosa, e não esperar que a vida pública te demita, mas libertar-te tu primeiro dela.
segunda-feira, 11 de julho de 2022
domingo, 10 de julho de 2022
Sobre a tranquilidade da alma
Qual é o mal de voltar ao ponto de onde se veio? A vida é a primeira coisa a banalizar, e a existência também deve ser considerada servidão. "Entre os gladiadores", diz Cícero, "detestamos aqueles que tentam manter a vida por todo o tipo de meios; estamos interessados naqueles que demonstram desprezo por ela". Deves compreender que o mesmo se nos aplica: pois muitas vezes a causa da morte é o medo de morrer.
domingo, 3 de julho de 2022
Sobre a tranquilidade da alma
O nome Líber foi dado ao inventor do vinho, não porque provoca a licenciosidade da fala, mas porque liberta a alma do jugo da tristeza, dá-lhe confiança, uma nova vida, e encoraja-a a todos os tipos de empreendimento. Diz-se que Sólon e Arcesilau adoravam vinho, Catão também foi censurado por embriaguez, mas serei mais facilmente persuadido de que a embriaguez é uma virtude do que de acreditar que Catão se tenha degradado a tal ponto. É um remédio que não deve ser usado com demasiada frequência para que não se contraia um mau hábito: no entanto é por vezes necessário excitar a alma para que a alegria e a liberdade façam tréguas com uma sobriedade demasiado severa.
quinta-feira, 30 de junho de 2022
Consolação a Hélvia
Quando a virtude endurece a mente, torna-a invulnerável a ataques vindos de qualquer lado. Se a ganância, a praga mais feroz da raça humana, relaxa o aperto, a ambição não se interporá no caminho. Se encarardes o vosso último dia não como um castigo, mas como uma lei da natureza, no peito da qual doi banido o pavor da morte, nenhum medo se atreverá a entrar.
Sobre a brevidade da vida
Não é que tenhamos pouco tempo para viver, a verdade é que dele desperdiçamos muito. A vida é longa que baste, e foi-nos dada uma quantidade generosa para que possamos realizar todas as nossas conquistas, caso este tempo seja devidamente investido. Mas quando desperdiçamos o tempo em ostentações imprudentes e em actividades descuidadas, somos forçados, por fim, a perceber, perante o horizonte da nossa morte, que ele nos fugiu sem que nos déssemos conta de que se estava a esgotar. Assim é: não nos é dada uma vida curta, nós fazemo-la curta.