Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto Manguel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto Manguel. Mostrar todas as mensagens

domingo, 24 de abril de 2022

Entrevista a Alberto Manguel

Hoje, com essa arrogância que temos de crer que possuímos uma ética social, dizemos que não se deve ler Céline ou Chesterton porque eram antissemitas, nem ver os filmes de Woody Allen ou de Polanski porque podem ter sido pedófilos. Shakespeare cobrava impostos aos seus vizinhos e Caravaggio matou um homem. Borges era racista, misógino e conservador. E nada disto tem importância na obra. Uma pessoa boa, magnífica e generosa pode escrever uma porcaria e um cretino pode escrever uma obra excelente. Haveria vantagem em ler toda a literatura como anónima

terça-feira, 22 de março de 2022

Entrevista a Alberto Manguel

Chegou-se ao ponto de dizer que não temos de ler ‘Harry Potter’ por certas observações de J. K. Rowling sobre os transexuais — quando ela só referiu um facto biológico: que os transexuais não se menstruam. Uma amiga minha, Deborah Eisenberg, renunciou da Universidade de Colúmbia porque a proibiam de ensinar Faulkner. Quando eu era lá professor convidado recebi uma circular da administração a avisar que antes de ensinar um texto suscetível de incomodar algum aluno é preciso anunciá-lo. Respondi que, se tivesse de escolher um texto que não afetasse os alunos, nem valia a pena ensiná-lo. A literatura existe para afetar.