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terça-feira, 8 de maio de 2012

O Vermelho e o Negro

Um viajante inglês conta a intimidade em que vivia com um tigre; tinha-o domesticado e acariciava-o, mas tendo sempre em cima da mesa uma pistola carregada.

sábado, 17 de maio de 2008

Racine e Shakespeare

O romanticismo é a arte de apresentar aos povos as obras literárias que, no estado actual dos seus hábitos e das suas crenças, são susceptíveis de lhe dar o máximo prazer possível.
O classicismo, pelo contrário, apresenta-lhe a literatura que dava o máximo prazer possível aos seus bisavós.
Sófocles e Eurípides foram eminentemente românticos, deram aos Gregos reunidos no teatro de Atenas as tragédias que, segundo os hábitos morais desse povo, a sua religião, os seus preconceitos sobre o que faz a dignidade do homem, deviam proporcionar-lhe o máximo prazer possível.
Imitar hoje Sófocles e Eurípides, e pretender que essas imitações não farão bocejar o francês do século XIX é classicismo.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Racine e Shakespeare

Ter ilusões, estar na ilusão, significa enganar-se, segundo diz o dicionário da Academia. Uma ilusão, diz o Sr. Guizot, é o efeito de uma coisa ou de uma ideia que nos ludibria com uma aparência enganadora. Ilusão significa pois a acção de um homem que acredita na coisa que não é., como nos sonhos, por exemplo. A ilusão teatral será a acção de um homem que acredita como sendo verdadeiramente existentes as coisas que se passam em cena.
No ano passado (Agosto de 1822), o soldado que estava de sentinela no interior do teatro de Baltimore, vendo Otelo que, no quinto acto da tragédia com esse nome, ia matar Desdémona, exclama: «Nunca se terá dito que na minha presença um negro maldito terá morto uma mulher branca.» No mesmo momento o soldado dá o tiro com a sua espingarda e parte um braço ao actor que fazia de Otelo. Não se passa um ano sem que os jornais relatem factos semelhantes. Pois bem! este soldado tinha a ilusão, acredutava ser verdadeira a acção que se passava em cena. Mas um espectador vulgar, no instante mais vivo do seu prazer, no momento em que aplaude com entusiasmo Talma-Mânlio dizendo ao seu amigo «conheces este texto?», pelo simples facto de estar a aplaudir, não tem a ilusão completa, porque aplaude Talma, a sua acção e não o romano Mânlio; Mânlio não faz nada para ser aplaudido, a sua acção é muito simples e totalmente em interesse próprio.