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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Solidão

Não: uma torre se faça do meu peito
e eu próprio seja posto à sua beira:
onde nada mais há, haja ainda uma vez dores
e inefabilidade, mais uma vez mundo.

Mais uma coisa só no desmedido,
que se faz escura e de novo se ilumina,
mais uma última ansiosa face,
repelida para o nunca acalmável,

mais uma extrema face de pedra,
dócil aos seus pesos interiores,
que as amplidões, que serenamente a aniquilam,
obrigam a ser sempre mais feliz.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Cartas a Um Jovem Poeta

O tempo, neste caso, não é uma medida. Um ano não conta, dez anos não são nada. Ser artista é não contar, é crescer como a árvore que não apressa a sua seiva, que resiste, sem temer que o Verão possa não vir. O Verão vem. Mas só vem para aqueles que sabem esperar, tão calmos como se tivessem na frente a eternidade. Aprendo-o todos os dias à custa de sofrimentos que bendigo: a paciência é tudo.