O falcão matizado desce velozmente e acusa-me, queixa-se da minha
tagarelice e ociosidade.
Eu também não fui domesticado, eu também não sou traduzível,
Lanço o meu grito bárbaro sobre os telhados do mundo.
O último fulgor do dia permanece para mim,
Arremessa a minha imagem depois de todas, real como elas, sobre os
desertos, sobre as sombras,
Insinua-me no vapor e nas trevas.
Parto como o ar, sacudo os meus cabelos brancos sob o sol que foge,
Espalho a minha carne em remoinhos, espalho-a em desenhadas rendas.
Entrego-me ao húmus para crescer da erva que amo,
Se me queres ter de novo, procura-me debaixo da sola das tuas botas.
Dificilmente saberás quem sou ou o que significo,
Todavia dar-te-ei saúde,
E filtrando o teu sangue dar-te-ei vigor.
Se à primeira não me encontrares, não desanimes,
Se não estiver num lugar, procura-me noutro,
Algures estarei à tua espera.
Mostrar mensagens com a etiqueta Walt Whitman. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Walt Whitman. Mostrar todas as mensagens
domingo, 2 de novembro de 2008
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Canto ao Eu
Canto o Eu, a simples pessoa em si,
Mas pronuncio a palavra democrática, a palavra Massas.
Da cabeça aos pés canto a fisiologia,
Nem a fisionomia nem o cérebro por si sós merecem a Musa,
Digo que a Forma completa a merece mais,
Canto a Fêmea e o Macho por igual.
Imenso de Paixão, pulso e poder,
Alegre, concebido para a acção mais livre sob a lei divina,
Canto o Homem Moderno.
Mas pronuncio a palavra democrática, a palavra Massas.
Da cabeça aos pés canto a fisiologia,
Nem a fisionomia nem o cérebro por si sós merecem a Musa,
Digo que a Forma completa a merece mais,
Canto a Fêmea e o Macho por igual.
Imenso de Paixão, pulso e poder,
Alegre, concebido para a acção mais livre sob a lei divina,
Canto o Homem Moderno.
domingo, 19 de agosto de 2007
O Captain! My Captain!
O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weather'd every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up¿for you the flag is flung¿for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon'd wreaths¿for you the shores a-crowding,
or you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.
My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will,
The ship is anchor'd safe and sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;
Exult O shores, and ring O bells!
But I with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
The ship has weather'd every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up¿for you the flag is flung¿for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon'd wreaths¿for you the shores a-crowding,
or you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.
My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will,
The ship is anchor'd safe and sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;
Exult O shores, and ring O bells!
But I with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Walt Whitman
XL
(...)
E ofereço tudo o que tenho.
Não pergunto quem és, para mim isso não é importante,
Não podes fazer nada, não podes ser mais do que aquilo que te dou.
Inclino-me perante quem moureja nos campos de algodão e perante
quem limpa as latrinas,
Na sua face direita deixo um beijo familiar,
E do fundo da minha alma juro que jamais o renegarei.
Nas mulheres que concebem concebo crianças mais robustas e aptas,
(Neste dia lanço as sementes de repúblicas mais arrogantes).
Àquele que morre acudo à sua porta e rodo a maçaneta,
Atiro os cobertores para os pés da cama,
Despeço o médico e o padre.
Agarro o homem que desfalece e levanto-o com irresistível vontade,
Ó desesperado, aqui tens a minha nuca,
Por Deus, não te vás abaixo!, apoia-te em mim com todo o peso.
Dilato-te com um sopro tremendo, dou-te alento,
Encho todos os quartos da casa com um exército armado,
Meus amantes, vós que do túmulo me enganam.
Dorme... eu e ele velaremos toda a noite,
Nem dúvida nem morte ousarão tocar-te com um dedo,
Abracei-te e a partir de agora pertences-me,
E quando pela manhã te levantares verás que é verdade o que te digo.
(...)
E ofereço tudo o que tenho.
Não pergunto quem és, para mim isso não é importante,
Não podes fazer nada, não podes ser mais do que aquilo que te dou.
Inclino-me perante quem moureja nos campos de algodão e perante
quem limpa as latrinas,
Na sua face direita deixo um beijo familiar,
E do fundo da minha alma juro que jamais o renegarei.
Nas mulheres que concebem concebo crianças mais robustas e aptas,
(Neste dia lanço as sementes de repúblicas mais arrogantes).
Àquele que morre acudo à sua porta e rodo a maçaneta,
Atiro os cobertores para os pés da cama,
Despeço o médico e o padre.
Agarro o homem que desfalece e levanto-o com irresistível vontade,
Ó desesperado, aqui tens a minha nuca,
Por Deus, não te vás abaixo!, apoia-te em mim com todo o peso.
Dilato-te com um sopro tremendo, dou-te alento,
Encho todos os quartos da casa com um exército armado,
Meus amantes, vós que do túmulo me enganam.
Dorme... eu e ele velaremos toda a noite,
Nem dúvida nem morte ousarão tocar-te com um dedo,
Abracei-te e a partir de agora pertences-me,
E quando pela manhã te levantares verás que é verdade o que te digo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)