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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Os Instrumentos do Espectáculo

Cabe apenas observar que o surgimento do cinema tornou esse público exigente. Não é que ele espero do teatro o que este não tem meios para lhe dar. Ele não pede ao teatro que imite desengonçadamente o cinema, mas que invente meios e formas de encantamento de que o cinema não pode apoderar-se. Coisa que o teatro levou, aliás, um certo tempo para compreender.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A Linguagem da Encenação Teatral

A reacção simbolista de Paul Fort e Lugné-Poe é respondida, na Rússia, pelo eco da de Meyerhold. Aqui como lá, os argumentos levantados contra o espectáculo naturalista - seja ele de Antoine ou de Stanislavski - são aproximadamente os mesmos: é uma ilusão ingénua acreditar que o teatro possa ficar a reboque do real, a não ser que queira perder toda a sua especificidade. A mania arqueológica dos naturalistas transforma "o palco numa exposição de peças de museu", frisa Meyerhold, enquanto Tcheckov declara ao mesmo Meyerhold, de modo bastante engraçado: "O palco é arte. Pegue num bom retrato, corte-lhe o nariz e introduza no buraco um nariz verdadeiro. O efeito será real, mas o quadro estará estragado".

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A Linguagem da Encenação Teatral

As implicações da chamada teoria da quarta parede são bem conhecidas: representação mais variada, mais realista, utilização da totalidade do palco, etc. Assim mesmo, a denúncia da representação da ribalta, de frente para a plateia, representação que decorre ao mesmo tempo da rotina e do narcisismo dos actores, interessa menos pelo que recusa (o irrealismo) do que por aquilo que assinala: a representação não é uma coisa natural; não é o único modo de intervenção do actor que se possa conceber.