É cruel, Diotima, exclamei eu, ferir assim o coração, atar-me assim ao meu próprio temor da morte, à minha mais nobre alegria de viver, mas não! não! não! a escravidão mata, mas a guerra justa vivifica todas as almas. Atirar ao fogo o ouro dá-lhe a cor do sol! Isso, isso é a primeira coisa a dar ao homem toda a sua juventude: quebrar cadeias! A única coisa que o salva é pôr-se a caminho e esmagar a víbora, o século rastejante que envenena toda a bela natureza no seu gérmen! Hei-de envelhecer, Diotima, se libertar a Grécia? hei-de envelhecer, empobrecer, tornar-me um homem vil? Oh, assim o jovem ateniense devia ser bastante insípido e oco e abandonado pelos deuses quando veio como mensageiro da vitória de Maratona pelos cumes do Pentélico olhando para baixo onde ficavam os vales de Ática!
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terça-feira, 20 de setembro de 2011
Hipérion ou o Eremita da Grécia
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
O Pão e o Vinho
7.
Mas nós, amigo, chegamos demasiado tarde. Certo é que os deuses vivem,
Mas acima de nós, lá em cima, noutro mundo.
Aí o seu domínio é infinito e parecem não se importar
Se estamos vivos, tanto nos querem poupar.
Pois nem sempre pode um frágil vaso contê-los,
O homem apenas algum tempo suporta a plenitude divina.
Depois toda a nossa vida é sonhar com eles. Mas os erros,
Tal como o sono, ajudam, e a necessidade e a noite fortalecem,
Até que haja suficientes heróis, criados em berço de bronze,
De coração corajoso, como dantes, semelhantes aos Celestiais.
Depois eles chegam, trovejantes. Entretanto penso por vezes
Que é melhor dormir do que estar assim sem companheiros,
Nem sei perseverar assim, nem que fazer entretanto,
Nem que dizer, pois para que servem poetas em tempo de indigência?
Mas eles são, dizes, como sacerdotes santos do deus do vinho,
Que em noite santa vagueavam de terra em terra.
Mas nós, amigo, chegamos demasiado tarde. Certo é que os deuses vivem,
Mas acima de nós, lá em cima, noutro mundo.
Aí o seu domínio é infinito e parecem não se importar
Se estamos vivos, tanto nos querem poupar.
Pois nem sempre pode um frágil vaso contê-los,
O homem apenas algum tempo suporta a plenitude divina.
Depois toda a nossa vida é sonhar com eles. Mas os erros,
Tal como o sono, ajudam, e a necessidade e a noite fortalecem,
Até que haja suficientes heróis, criados em berço de bronze,
De coração corajoso, como dantes, semelhantes aos Celestiais.
Depois eles chegam, trovejantes. Entretanto penso por vezes
Que é melhor dormir do que estar assim sem companheiros,
Nem sei perseverar assim, nem que fazer entretanto,
Nem que dizer, pois para que servem poetas em tempo de indigência?
Mas eles são, dizes, como sacerdotes santos do deus do vinho,
Que em noite santa vagueavam de terra em terra.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
A Morte de Empédocles
MÉCADES
Ocorre-me um discurso arrogante
Que ele fez quando ultimamente
Esteve na Ágora. Desconheço
O que o povo lhe tinha dito antes; acabava
De chegar, encontrava-me ao longe; ele respondia:
«Vós honrais-me e nisso procedeis bem;
Pois a Natureza é muda,
Como estranhos vivem, perto uns dos outros,
O Sol e a Luz e a Terra e os seus filhos.
Todos esses seres solitários, como se não se pertencessem.
É certo que se movem, sempre vigorosas,
No espírito dos deuses, as livres
Imortais forças do mundo,
Em volta da vida
Fugaz dos outros,
Porém como plantas selvagens
Em terreno selvagem,
Estão semeados no regaço dos deuses
Todos os mortais
Parcamente nutridos, e o solo
Pareceria morto se não houvesse alguém
Que dele cuidasse, despertando a vida, e meu
É o campo. Em mim trocam
A força e a alma Num só
Os mortais e os deuses.
E as forças eternas abraçam com mais calor
O coração que anela, e mais vigorosamente crescem,
Do espírito dos que são livres, os homens sensíveis,
E tudo está desperto! Pois eu
Junto os estranhos,
A minha palavra nomeia o desconhecido,
E faço subir e descer
O amor dos que vivem; o que a Um falta
Trago-o de outro, e uno
Dando ânimo, e transformo,
Rejuvenescendo, o mundo hesitante;
E a ninguém me pareço e a todos me pareço.»
Assim falou esse arrogante.
Ocorre-me um discurso arrogante
Que ele fez quando ultimamente
Esteve na Ágora. Desconheço
O que o povo lhe tinha dito antes; acabava
De chegar, encontrava-me ao longe; ele respondia:
«Vós honrais-me e nisso procedeis bem;
Pois a Natureza é muda,
Como estranhos vivem, perto uns dos outros,
O Sol e a Luz e a Terra e os seus filhos.
Todos esses seres solitários, como se não se pertencessem.
É certo que se movem, sempre vigorosas,
No espírito dos deuses, as livres
Imortais forças do mundo,
Em volta da vida
Fugaz dos outros,
Porém como plantas selvagens
Em terreno selvagem,
Estão semeados no regaço dos deuses
Todos os mortais
Parcamente nutridos, e o solo
Pareceria morto se não houvesse alguém
Que dele cuidasse, despertando a vida, e meu
É o campo. Em mim trocam
A força e a alma Num só
Os mortais e os deuses.
E as forças eternas abraçam com mais calor
O coração que anela, e mais vigorosamente crescem,
Do espírito dos que são livres, os homens sensíveis,
E tudo está desperto! Pois eu
Junto os estranhos,
A minha palavra nomeia o desconhecido,
E faço subir e descer
O amor dos que vivem; o que a Um falta
Trago-o de outro, e uno
Dando ânimo, e transformo,
Rejuvenescendo, o mundo hesitante;
E a ninguém me pareço e a todos me pareço.»
Assim falou esse arrogante.
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